Tudo se faz

António Lobo Antunes (1942-2026)

Lá morreu o António Lobo Antunes. O eterno autor português apontado ao Nobel, mas que ficou sempre aquém. Nunca li. Bem, comecei a ler o primeiro livro dele, Memória de Elefante, ainda o ano passado, mas não consegui prosseguir. Era denso, pesado, e eu não estava com concentração suficiente nem com a cabeça no sítio certo.

Não sei muito sobre ele. Era de boas famílias, naturalmente. Psiquiatra. Andou na guerra colonial, e isso era, compreensivelmente, um tema recorrente da sua escrita. Existia uma rivalidade entre ele e Saramago. Acho que nunca nenhum deles assumiu frontalmente a coisa, mas era bastante evidente.

Aliás, reza a lenda, em várias entrevistas que foi dando, que Lobo Antunes ficou com um bocadinho de azia por causa do Nobel. Certamente não haveria ninguém que achasse que ele o merecia mais do que ele próprio, e se calhar até tinha razão... Mas relatos mais recentes demonstravam alguma paz, ou pelo menos maior capacidade de esconder o azedume.

Indiscutível, na minha opinião de quem nunca o leu, é que haveria de ser um dos maiores escritores portugueses de sempre. Mesmo que se venha a revelar como não sendo do meu gosto, tem pelo menos esse reconhecimento mais ou menos consensual.

E no entanto a única coisa que sei sobre a sua escrita é algo que o meu pai costumava dizer. Não é que fosse a pessoa mais confiável para crítica literária, até porque acho que desde que saiu da adolescência não pegava em livros que não tivessem bonecos ou que não fossem manuais de educação tecnológica. Mas ele repetia isto de todas as vezes (como professor que era, a repetição era parte integrante da sua personalidade).

Dizia ele que os livros do Lobo Antunes eram chatos de ler, porque tinha que se andar para trás e para a frente para perceber a história, e que o autor começava uma ideia, depois desviava-se para outra, e outra, e outra, até que de repente voltava à mesma ideia de três páginas atrás, e repetia-se, e ficava tudo muito confuso.

É isto. Provavelmente um dos maiores escritores portugueses, se calhar até merecedor de um Nobel, e o que eu sei da sua escrita é que é chata, confusa e repetitiva. Não é de espantar que tenha demorado tanto até de facto pegar num livro dele.

Mas vai ser este ano. Estou comprometido, então agora que o homem morreu, não tenho hipótese. Mas o meu ritmo de leitura está bom, a minha capacidade de leitura não anda má, sinto-me confiante. Ainda faltam... 89 livros. Está um bocadinho demasiado para baixo na lista, se calhar...

Para daqui a 49 livros, é mais razoável, não? Sendo que desses, 25 são muito pequenos e valem todos juntos para aí por 2 livros. 51 livros, então. Ok, vamos no início de Março e eu já li 15 livros. A este ritmo, a meio de Junho leio outros 15, e pelo fim de Agosto outros 15, início de Outubro outros 15, e já vão 45, para chegar aos 51 só devo precisar de mais um mês, mês e meio talvez, sim, ainda dá para este ano, ok, serve. Sendo que estou confiante que ainda só li 15 livros pois estou a ler as quase 1400 páginas do The Stand, do Stephen King, que é uma tarefa demorada e limitativa, pois não dá para ler deitado na cama um livro que se aguenta de pé apoiado na lombada.

Bem, não interessa. Ontem morreu o António Lobo Antunes. Se calhar merecia o Nobel. Não faço ideia. Mas vou tentar descobrir. Entretanto, com ou sem a minha apreciação, certamente fica a sua obra, para sempre eternizada por entre os grandes da nossa Literatura.

#obituário