Exercício 1 - Vampiros que se alimentam de outra coisa que não sangue
O corpo cai inerte, sem olhos, aos pés do seu atacante. Dois pequenos fios de sangue escorrem das órbitas vazias até ao chão. O homem alto, com o cabelo puxado para trás, afasta-se da poça que se começa a formar. Suspira, enojado, depois de lamber os lábios. Tem os olhos de pupilas brancas abertos, sem nada verem. Por cima, na testa, um terceiro olho, fechado, abre-se lentamente e olha freneticamente em redor. Pára, finalmente, concentrado no corpo caído no chão. O sangue aumenta e o homem afasta-se novamente. Pisca o olho recém adquirido e apercebe-se de que o mundo parece desfocado. Miopia. Aborrecido, abre a mão, na qual tem o outro olho que arrancou ao homem caído no chão e pensa. Não tem maneira de saber se será melhor. Mas muito pior também não há-de ser. Abre a boca e estende a língua negra que se abre para envolver o olho arrancado. Engole, fecha o olho na testa e quando o volta a abrir vê melhor, mas não muito. Abana a cabeça, vira costas e sai lentamente do beco, em busca de mais alimento...