Exercício 2 - Férias
É difícil planear uma viagem toda de noite. Mas não tão difícil como ter que lidar com todas as pessoas que lhe dizem "então, 'tá sol, não é?" quando reparam no seu chapéu. Sem sequer fazerem ideia que aquele chapéu não seria suficiente para o proteger do Sol, e que mal chega para as proteger a elas do que ele esconde.
Quando decidiu apanhar um avião para longe, o plano era apenas descansar. Mesmo sabendo que estar fechado no mesmo espaço que outras 200 pessoas era tentador. Demasiado tentador.
Mas tinha conseguido fazer a viagem sem problemas. Mas uma vez chegado ao seu quarto de hotel, tirou o chapéu e desenrolou cuidadosamente o lenço que lhe cobria a testa. Debaixo do lenço, um olho fechado, por cima dos seus dois olhos cegos. Abriu o terceiro olho e viu tudo desfocado. Demasiado desfocado. Talvez as diferenças de pressão do avião tenham sido demais para aquele olho morto. Não interessava. Precisava de caçar.
Foi nesse momento que lhe bateram à porta. Abriu, sem se preocupar em tapar a cabeça. Quando a oportunidade se apresentava, ele aproveitava. Do outro lado da porta estava um homem jovem, vestido com o uniforme do hotel e uma pequena placa ao peito que deveria dizer o seu nome e função. Mas a sua visão estava demasiado desfocada. Era apenas o suficiente para ver a expressão de repulsa e confusão na cara do homem. Puxou-o com força para dentro do quarto e fechou a porta. Tapou-lhe a boca com a mão, atirou-o para cima da cama e saltou-lhe para cima com uma agilidade sobrenatural. Aproximou-se da cara do homem para tentar ver melhor os seus olhos. Eram azuis. Teriam que servir.
Sem dizer uma palavra, abriu a boca e esticou a sua língua negra para fora, em direcção ao olho direito do homem, que estremeceu violentamente e se tentou libertar, sem sucesso, do seu aperto férreo. A ponta da língua abriu-se lentamente e envolveu o olho do homem aterrorizado. Conseguia sentir a língua dele a lamber-lhe involuntariamente a mão que o amordaçava, enquanto tentava gritar e morder. Com a mão livre, apertou o pescoço do homem até ele parar de se mexer e expirar pela última vez, com a cara presa numa expressão do mais puro horror.
Com delicadeza, puxou a língua para trás, arrancando o olho e engolindo-o, tendo o cuidado de deixar o sangue acumular-se na cavidade vazia, em vez de cair para a cama. Fechou o terceiro olho, inspirou fundo e sentiu a sua visão a transformar-se. Quando voltou a abrir as pálpebras, o seu novo olho azul revelou ter uma visão perfeita. Satisfeito, tirou um lenço do bolso de trás das calças e enfiou-o dentro da órbita sem olho, para conter o sangue. Depois ergueu cuidadosamente o cadáver e enfiou-o debaixo da cama. Lavou as mãos e a boca, enfaixou a cabeça, pôs o chapéu, alisou a roupa e saiu do quarto. Logo trataria do corpo da sua vítima.
Afinal, tinha vindo até ali para passear.