Exercício 3 - Chamada
"Sim?"
"Sou eu..."
"Eu sei."
"Era só para... pronto..."
"Não tenho interesse."
"Mas..."
"Não tenho interesse em ouvir-te a gaguejar. Diz o que queres, ou deixa-me em paz."
"Não precisas de ser bruto."
"Pois não."
"Ok, já percebi."
"Óptimo. Vais dizer o que queres, ou não?"
"Quero ir ter contigo."
"Vem."
"De dia."
"Não sejas ridículo."
"Não precisas de sair de casa."
"Não estou em casa."
"Não precisas de sair de onde quer que estejas! Não sejas complicado!"
"Tu é que te queres encontrar de dia."
"Eu é que vou ter contigo."
"Claro, pode ser hoje?"
"Sabes bem que não."
"Sendo de dia, não há problema."
"O problema não é só a Lua, e tu sabes bem."
"Pois o meu problema não é só o Sol, e tu sabes bem."
"Certo."
"Mais alguma coisa?"
"Eu só queria ver-te."
"Vem. De noite."
"Não confio em ti."
"E bem."
"Não acredito que te conseguisses controlar."
"Claro que consigo. Posso é não querer."
"És sempre a mesma coisa. Eu percebo a tua fome, acredita, mas nem a mim me consegues poupar?"
"Tu não percebes nada."
"Não?"
"Não! Claro que não! Eu sou cego! Odeio sangue! Mas tenho fome na mesma, fome de olhos, acabados de arrancar!"
"Incluindo os meus..."
"ESPECIALMENTE OS TEUS! VEM!"
"Acalma-te..."
"Eu... Eu não como há duas semanas."
"Talvez devesses alimentar-te, então, e depois falamos."
"Sim. Adeus."
"Adeus."