Tudo se faz

Exerciciopatia

Há dois tipos de pessoas: as que gostam de fazer exercício, e as saudáveis. E confesso que já tentei muitas vezes gostar de fazer exercício, mas não consigo. Acho aborrecido e complicado, dói com frequência, normalmente DEPOIS, e é muitas vezes bastante ridículo.

Bem sei que há quem goste. Suspeito que sejam psicopatas. Não há outro motivo. Um bocadinho de Síndrome de Estocolmo, talvez. Certamente fará o mesmo efeito que as drogas e provoca vício, haja ou não prazer real.

Mas gostar de fazer exercício? Só quem for doente. Não faz sentido. Podemos estar a descansar, a ler, a ver um filme, a aproveitar o almoço, e em vez disso optamos por ir suar em conjunto, agarrados a máquinas de tortura medievais? Ou a atirar bolas de um lado para o outro com as mãos, pés ou raquetes? Podemos sempre andar a fugir de nada, a correr às voltas até chegarmos ao sítio de onde partimos, só que exaustos, doridos, afogueados e incapazes de aproveitar o resto do dia.

Não quer dizer que não faça exercício. Faço. Até me estou a esforçar extra para o fazer de forma regular e direccionada. Mas faço-o pelo mesmo motivo pelo qual como sopa ou tomo comprimidos. Não é porque gosto, é porque tenho esperança que me faça bem e compense a longo prazo.

Lembro-me, em tempos, de estar na moda a ginástica passiva. Uma pessoa sentava-se numas páginas e elas mexiam-se sozinhas e faziam o exercício por nós. Parece-me um conceito mais interessante... Se der para montar uma dessas com uma televisão à frente, talvez me convençam.

#devaneios