Garden of the Gods (Gerald Durrel)
Sou fascinado por mitologia grega. E por consequência tenho um fraquinho pela cultura grega e pelo país. Tentei aprender grego (sucesso... ligeiramente abaixo de moderado), já li muito sobre a sua mitologia, e mais recentemente comecei a interessar-me mais pelo país e por histórias passadas na Grécia.
Foi assim que cheguei à série The Durrels, que vi muito rápido, frequentemente com o meu filho a dormir ao colo.
Quando comecei a ver descobri que um dos Durrels é o Larry, diminutivo de Lawrence. Ou seja, Lawrence Durrel, o escritor! Fui investigar, e descobri que a série é baseada nos livros de memórias escritos pelo irmão, Gerald Durrel, O Gerry da série, o irmão mais novo, que cresceu e se tornou num famoso naturalista britânico.
Portanto... Arranjei os livros! Li os dois primeiros o ano passado, e com este termino a trilogia.
É então com segurança que afirmo que, embora todos sejam divertidos, o primeiro é muito divertido, e os dois seguintes são mais meh. E isso é fácil de perceber, o primeiro livro é que é o verdadeiro livro de memórias, as duas sequelas são episódios adicionais mais ou menos avulsos. O primeiro livro tinha uma sequência mais narrativa, que prefiro.
Isto não quer dizer que não tenha gostado deste livro. É fascinante ver as aventuras em que o rapaz se metia (algumas coisas serão certamente exageradas, mas muitas são descritas de forma que me leva a acreditar que têm pelo menos algum fundo de verdade. Claro que a família dele é fortemente caricaturizada: o irmão Leslie é maluquinho por armas, e praticamente todas as suas intervenções estão de alguma maneira relacionadas com tiros; a irmã, Margo, é uma adolescente palerma, oca e preocupada apenas com namoricos, roupas e histórias de amor; o irmão mais velho, Larry, o escritor, é um diletante levado ao extremo, sempre a queixar-se; e a própria mãe, Louisa, é uma senhora muito preocupada com aparências e interacções sociais, bem intencionada, mas claramente excêntrica e com uma aparente capacidade de lidar com quase tudo, desde convidados surpresa a burros na sala de estar.
Anyway, pontos extra para o Spiros, o guia/motorista/conselheiro/arranja-coisas da família, um grego mais simpático na série do que no livro, mas igualmente carismático; e para o Theo, o famoso naturalista (e escritor, poeta, tradutor, entre outros) grego, Theodore Stephanides, sempre simpático e cordial, extremamente culto, com resposta para tudo, e com um sentido de humor peculiar.
Com alguma pena minha, o livro não revela tanto da cultura grega como eu gostaria. A caricatura dos gregos de Corfu como cuscos e agressivamente hospitaleiros não é suficiente, por mais real que possa ser, não faço ideia. Mas isto são umas memórias, não 100% fidedignas, tenho a certeza, e são, acima de tudo, divertidas. O amor do autor pelos animais é patente em cada linha, e mostra como deve ter sido uma criança difícil de ter em casa, especialmente de ter fechada em casa, por qualquer motivo.
Agora, aparentemente o irmão, Larry, também tem umas memórias desta altura e das suas deambulações pela Grécia e arredores... E o Theo também tem qualquer coisa... interessante...