Ser-se velho
Quando é que se é velho? A pergunta não é "quando é que os outros nos acham velhos?" ou "quando é que parecemos velhos", mas sim quando é que nós, de nós para nós e apenas sobre nós, concluímos que somos velhos?
Certamente não é quando começamos a pensar que somos velhos, pois eu já penso isso há algum tempo e ainda não tenho sequer idade para me candidatar a Presidente da República.
Suponho que tenha que permitir alguma margem de variabilidade, há pessoas com 80 anos mais novas que muitas com 60, reconheço isso. Aliás, esta minha dúvida surgiu pois ando no ginásio, e vejo lá pessoas com idade para serem meus pais, e alguns até meus avós, que se mexem melhor do que eu.
Será que funciona ao contrário, como os malucos? Toda a gente sabe que "eu? eu não sou maluco!" é um sintoma óbvio de que aquela pessoa é maluca. Será que vou acordar um dia e pensar "velho, eu? nem pensar, eu sou jovem!" e vou assim saber que passei definitivamente essa barreira invisível da juventude para a velhice?
Calma. Não se passa da juventude para a velhice. Não há ali nada no meio? A internet diz-me que é a meia-idade. Que aborrecido. Não se arranjou nada melhor? A mesma língua que nos dá abléfaro (sem pálpebras), filáucia (amor próprio) e tergiversar (falar com rodeios), olhou para o período da vida entre a juventude e a velhice e chamou-lhe... meia-idade?
Talvez devesse inventar eu uma palavra... Não Rui, foca-te, foca-te! Onde é que eu ia? Já sei, estava a pensar quando é que somos velhos. Acho que não sei. Mas enquanto pensava nisto e fazia as minhas pesquisas, descobri uma coisa interessante. A palavra "velho" vem do latim vetulus ou algo muito parecido. Pouco interessante.
Já a palavra idoso... Nunca tinha pensado nisso, apesar de ser relativamente óbvio, se decidisse usar os meus dois neurónios como deve ser, em vez de estarem ocupados a reter nomes de Pokémon (já são 1025!). Ora vamos por partes. Algo muito grande é grandioso. Um texto com muita palha é palavroso. Portanto, alguém com muita idade é... idoso! Incrível! Não só a origem banal da palavra, como o facto do sufixo -oso ser usado para denotar intensidade ou grande quantidade.
Gostei. Tudo isto porque no ginásio vi um velho a sentar-se na máquina de onde eu tinha acabado de sair, duplicar o peso e fazer as suas repetições com mais facilidade do que eu.
Estarei a ficar velho? Ou parvo?
Ambos?
Deve ser isso.