Vultos
De noite, todos dormem. Menos eu. Fico a olhar para cima, no escuro, de olhos abertos a ver o nada. Habituo-me à escuridão e começo a distinguir os contornos do quarto. Imagino vultos, de imediato. Forço-me a ignorá-los. Não consigo. Quando viro o olhar, desaparecem, ou melhor, fogem. Se olho para a direita, saltam para a esquerda, se me viro para cima, vislumbro-os em baixo. Não existem, eu sei. São apenas os meus medos e as minhas paranóias.
Mas estão lá, sempre, no escuro, imóveis de um lado para o outro, incapazes de se materializarem.