Tudo se faz

Suíte Tóquio (Giovana Madalosso)

Capa de Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso

Este não é o primeiro livro que leio da autora. Graças ao Clube Tinta da China, que subscrevi durante 2 anos e qualquer coisa, li Tudo pode ser roubado, que, não sendo nenhum portento, me surpreendeu pela positiva.

A história não era um portento, a escrita também não, mas leitura foi relativamente leve, descontraída, soube bem, era divertida. Uma autora competente, com uma escrita descomplicada, sem almejar o Nobel mas sem se entregar a facilitismos. Cativou-me. Ao ponto de ter decidido comprar este livro para ler mais da autora.

A minha opinião é muito semelhante, com uma pequena diferença: não foi uma leitura assim tão leve. Talvez seja por ter tido um filho entretanto, mas ver uma personagem a essencialmente raptar uma criança, por amor, ao mesmo tempo que acompanhamos a mãe da criança e os seus dilemas de mãe ausente, tocou-me de certa maneira.

A escrita tem pouco ritmo, mas tem. Pode avançar devagar, mas nunca pára. Talvez por ser uma história mais pessoal, ou por meter crianças, mas achei a história mais apelativa. Passa-se muito pouco, na verdade. Uma viagem azarada, em que tudo corre mal, mas nada de verdadeiramente grave acontece, e ao mesmo tempo uma viagem pelas memórias da mãe da criança e da sua luta por mais dinheiro, mais emoção, mais liberdade. E das consequências.

A leitura até foi um bocadinho compulsiva, dava vontade de saber o que ia acontecer a seguir, como é que as coisas se iam resolver. E a história está bastante imersiva, tem detalhes, por vezes aparentemente ridículos que ajudam a manter-nos dentro daquele universo. Só é pequena que eu não esteja habituado ao português do Brasil, e que portanto vários termos me tenham passado ao lado e obrigado a parar para perceber o que estava a ler.

(credo, comecei quatro parágrafos seguidos da mesma maneira... oh well)

Foi acima de tudo uma leitura óptima para descansar depois do calhamaço que li antes. E deixou-me com vontade de descobrir o primeiro livro da autora, ainda não publicado em Portugal. Pode ser que a Tinta da China se motive.

#livros